Entrevista com a pesquisadora Eliana Leite sobre “formação, docência e pandemia"

06/06/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (Universidade do Minho)
Foto: Eliana Alves Moreira Leite

   

    Entrevista internacional concedida por Eliana Alves Moreira Leite, Doutoranda em Ciências da Educação, especialidade de Tecnologia Educativa pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho, em Braga/Portugal, ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. A entrevistada é docente da rede municipal de Fortaleza e cursa doutoramento no Instituto de Educação da Universidade do Minho em cotutela na Universidade Federal do Ceará (UFC). A professora e pesquisadora do Centro de Investigação em Educação fala sobre a formação de professores no período pós-pandemia

1.  Qual sensação foi predominante entre os professores quando perceberam que precisariam desenvolver mediações docentes em situação de isolamento social?

       Em meio a uma pandemia que deixou o mundo atônito e surpreso, professores viram-se diante de um cenário adverso para lidar com uma situação que não estava prevista na práxis cotidiana.

2. Como os professores passaram a compreender a sala de aula no contexto do isolamento social?

      A sala de aula foi desestabilizada com incertezas, acarretando obstáculos que precisaram ser superados  repentinamente. Os professores tiveram que migrar da sala presencial para a virtual, adequando metodologias com o apoio das tecnologias digitais. Porém, isso nem sempre foi possível, uma vez que diversos estudantes não possuem acesso às tecnologias, realidade resultante das desigualdades sociais que permeiam a sociedade brasileira.

3. Como devemos avaliar a utilização da educação híbrida antes do despontamento da pandemia?

      Nesse contexto, ressalta-se que a abordagem híbrida não tem sido regularmente implementada nas práticas pedagógicas da sala de aula. Entretanto, as experiências vividas atualmente poderão corroborar com o fortalecimento da educação híbrida  na formação tanto de estudantes quanto de professores.

4. A formação de professores no Brasil obedece a prescrições normativas que são suficientes para balizar o desenvolvimento satisfatório destes profissionais? Comente.

       A pandemia faz voltar à tona discussões sobre a formação dos professores da Educação Básica, pautada por políticas educacionais que sistematizam o saber docente por meio de legislações a serem cumpridas. Dentre estas, o Plano Nacional de Educação (PNE, 2014) aponta o objetivo de “formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos professores da Educação Básica até 2024”. Contudo, é preciso ir além dos vieses quantitativos e, sobretudo, perceber que o professor, como parte do cotidiano escolar, pode manifestar sua opinião sobre a própria formação. O processo formativo docente nos modelos que estão postos volta a ser questionado, reacendendo a reflexão sobre o desenho desses modelos e retomando a reflexão sobre a formação transformadora.

5. Como será a formação do professor pós-pandemia?

   Quem poderá responder a essa pergunta com mais propriedade serão os próprios professores que reinventaram a sala de aula com estratégias pedagógicas emergentes, superando o desafio de atender estudantes no processo de aprendizagem, com múltiplas particularidades e ritmos de aprendizado diversos.

       A formação do profissional docente pós-pandemia mostra uma tendência para redesenhar esse percurso com nuances que levem em consideração as narrativas experienciadas pelos docentes, uma vez que foi nas relações com os estudantes que se descortinaram experiências tanto exitosas e quanto desafiadoras. Essas narrativas compartilhadas poderão subsidiar a formação do professor, mas, para isso, será necessário que haja a sensibilização dos segmentos educacionais que tratam da formação docente para a escuta e a validação dessas experiências.

6. Em sua concepção que ideias são essenciais e estruturantes para integrar projetos de formação de professores transformadores no contexto pós-pandemia? 

     Portanto, faz-se imprescindível prospectar formações que valorizem particularidades e singularidades do professor, uma vez que, mesmo diante das condições complexas que permearam a sala de aula atípica em tempos de pandemia, os docentes mostraram-se capazes de tomar decisões, ser autônomos e fortalecer o seu fazer pedagógico na perspectiva de garantir o aprendizado dos estudantes.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado a Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

Fonte: Eliana Alves Moreira Leite