Entrevista com Teresa Ribeirinha: “nenhum ser humano é uma ilha”

14/06/2020

Por: Andrezza Tavares
Foto: Teresa Ribeirinha

     

 

   Entrevista internacional concedida por Teresa Ribeirinha, Doutoranda em Ciências da Educação, especialidade de Tecnologia Educativa pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho, em Braga/Portugal, ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. A entrevistada é professora e cursa doutoramento no Instituto de Educação da Universidade do Minho, sendo pesquisadora do Centro de Investigação em Educação. “Nenhum ser humano é uma ilha” é o tema da sua reflexão, afirmando que “se a pandemia nos isolou nas nossas próprias ilhas, as tecnologias digitas estão a combater a insularidade garantindo o vital suporte social através de uma das suas principais funções: a comunicação em rede”.

1. A Pandemia do Coravírus tem imposto à sociedade medidas para a mitigação do contágio. Entre tais medidas se destaca o apelo central pelo isolamento social. O isolamento pode provocar rebatimentos no equilíbrio físico e psicológico das pessoas?

      As palavras de John Danne escritas há mais de 300 anos, “nenhum homem é uma ilha”, reverberam através do tempo para nos lembrar que a natureza do ser humano não é solitária.

      A pandemia impôs o isolamento social, mudando radicalmente o estilo de vida das pessoas através de várias restrições que, de certa forma, podem-se repercutir no seu equilíbrio físico e psicológico, confinando-as às suas próprias ilhas.

2. Qual o papel da comunicação, atividade eminentemente humana, diante do desejado equilíbrio holístico das pessoas? Por que se comunicar é tão importante em tempo de isolamento? 

     Acionar mecanismos que restabeleçam esse equilíbrio é fundamental e a comunicação é um desses mecanismos. Se no passado através desta necessidade ganhamos vantagem evolutiva enquanto espécie, hoje, dadas as circunstâncias, ela assume-se como responsável da integridade da espécie. Ao comunicarmos, estabelecemos ligações com os outros, relações interpessoais, que proporcionam ligações emocionais e que na impossibilidade de serem alimentadas presencialmente podem sê-lo digitalmente, permitindo desconfinar as pessoas das suas próprias ilhas.

3. O espaço digital é um lugar seguro para a atividade de comunicação em tempo de pandemia e isolamento social? Comente.

     A digitalização está a permitir a sobrevivência de diferentes estruturas económicas e sociais e uma dessas estruturas é a escola. Mais do que permitir a sua sobrevivência está a operar nela uma mudança há muito esperada, com o desenvolvimento do verdadeiro sentido de comunidade assente nas tão desejadas práticas colaborativas.

4. Como a escola e a formação docente podem se beneficiar diante das possibilidades criadas pela comunicação digital? 

     Neste contexto, a atualização dos docentes tornou-se urgente, o que potenciou a comunicação entre as universidades e as escolas com a disponibilização de percursos formativos que permitissem a adaptação ao digital. A implementação desses percursos fez-se com o suporte de grupos de apoio aos professores, criados nas redes sociais que, através de uma paciente comunicação, não só asseguraram a implementação como impediram a desmotivação. Nunca antes existiu tanto fluxo comunicativo entre docentes com a partilha e divulgação de experiências, de materiais e de aplicações tecnológicas. Os grandes grupos editoriais, através de uma comunicação personalizada com docentes, abriram as suas plataformas à comunidade disponibilizando uma série de recursos que facilitaram a transição para o digital. Essa transição, no terreno, contou com o apoio das autarquias locais que asseguraram a comunicação com as famílias no sentido de minimizar as desigualdades digitais.

5. Qual relação podemos estabelecer entre a escola digital e a atividade de comunicação em rede?

     Deste modo, a inesperada rede colaborativa tornou possível a criação de uma escola digital, que, não sendo a ideal, é a possível. Continuou-se a fazer escola de todos e para todos e, fazendo uso de uma comunicação sensível que respeita as diferentes realidades, abriu-se o tão desejado caminho da mudança.

    Portanto, se a pandemia nos isolou nas nossas próprias ilhas, as tecnologias digitas estão a combater a insularidade garantindo o vital suporte social através de uma das suas principais funções: a comunicação em rede.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

Fonte: Teresa Ribeirinha