De Portugal, a pesquisadora Regina Alves fala sobre “Ensino Superior e Saúde"

28/06/2020

Por: Andrezza Tavares & Bento Silva
Foto: Regina Alves

 

De Portugal, a pesquisadora Regina Alves fala sobre “Ensino Superior e Saúde"

 

     Entrevista internacional concedida por Regina Alves, Doutoranda em Ciências da Educação na especialidade de Supervisão Pedagógica pela Universidade do Minho, em Braga/Portugal, ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. A pesquisadora  do Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC/UMinho) fala sobre conhecimentos, as atitudes e os comportamentos de risco para a saúde dos estudantes universitários. Em relação ao cuidado com a saúde no contexto da Pandemia, a pesquisadora, na sua pesquisa, observou que os jovens registam bons conhecimentos acerca da COVID-19 e uma moderada percepção de risco, embora os comportamentos autorrelatados pelos jovens universitários os coloquem em risco de contrair o novo coronavírus. Com sua pesquisa pretende construir um programa de intervenção em saúde online, entendendo que as principais linhas orientadoras para o desenvolvimento de programas de Educação para a Saúde no Ensino Superior passam pela influência dos pares, a ausência do controlo parental, a gestão do tempo e das emoções.

 

1. “Educação para a Saúde no Ensino Superior” é uma temática de investigação muito necessária para a permanência com êxito dos estudantes universitários. Como abordas está temática no teu projeto?

    Com o meu projeto de investigação de doutoramento em Ciências da Educação procuro identificar os conhecimentos, as atitudes e os comportamentos de risco para a saúde dos estudantes universitários, que servirá como diagnóstico para o desenvolvimento de um programa de intervenção online em educação para a saúde no Ensino Superior (@health.on.you).

2. Em Portugal, a temática “Educação para a Saúde” é um campo de formação obrigatório em todos os níveis da educação pública?

     A Educação para a Saúde é, em Portugal, de caráter obrigatório em todos os estabelecimentos de ensino público, em todos os ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário, correspondentes aos Ensino Fundamental e Médio no Brasil. No entanto, essa obrigatoriedade não é extensível ao Ensino Superior apesar das evidências científicas apontarem para a necessária continuidade desses programas.

3. Quais os resultados que a pesquisa online sobre Educação para a Saúde no Ensino Superior tem desvelado em Portugal? Inclusive, com relação ao indicador de felicidade dos jovens?

     A nossa investigação mostrou que os estudantes do Ensino Superior têm baixos conhecimentos de saúde e uma predisposição negativa para terem comportamentos protetores, sendo estas variáveis prenunciadoras de comportamentos de risco para a saúde dos estudantes universitários. Relativamente aos comportamentos, no nosso estudo registamos uma elevada prevalência de consumo de tabaco (20% dos estudantes é fumador), de álcool (60,1% dos estudantes é consumidor de risco), de drogas ilícitas (em 22,2% dos estudantes) e de medicamentos autoprescritos (54,3% dos estudantes automedica-se). Assim como, identificamos práticas sexuais de risco (em 74,9% dos universitários), hábitos alimentares desequilibrados (em 94.2% dos estudantes) e hábitos sedentários (em 35,7% dos estudantes). Paralelamente, verificou-se que a presença de comportamentos de risco diminuiu a percepção de bem-estar dos jovens adultos, identificando-se que 1 em cada 4 estudantes universitários não se sentia feliz.

4. Especificamente com relação ao cuidado com a saúde no contexto da Pandemia do COVID-19, como os jovens e adultos do Ensino Superior sinalizam os cuidados com a saúde?

      Ao abordar a prevenção da COVID-19 no Ensino Superior registamos bons conhecimentos acerca da COVID-19 e uma moderada percepção de risco, embora os comportamentos que os universitários autorrelataram os coloquem em risco de contrair o novo coronavírus (COVID-19). Ou seja, considerando os doze comportamentos preventivos estudados, os estudantes indicaram, em média, seis desses comportamentos no seu dia-a-dia.

5. A pesquisa sobre “Educação para a Saúde no Ensino Superior” pretende desenvolver um produto de intervenção e apontar um repertório de orientação sobre a temática. Comente sobre a produção do instumento de pesquisa e sobre a expectativa da repercussão social. 

     Face ao exposto destaca-se a importância dos conhecimentos na construção de percepções positivas e na adoção de comportamentos saudáveis por parte dos estudantes universitários. Por isso, estes resultados irão orientar a construção de um programa de intervenção em saúde online que capacite os estudantes universitários na tomada de decisões informadas e conscientes e que, consequentemente, promovam o bem-estar dos jovens adultos.

    Apesar da intervenção online ter sido previamente idealizada, a situação pandémica vivenciada reforça a sua pertinência pela usabilidade dos espaços online no quotidiano, mas também pelas questões da saúde estarem mais presentes nos discursos atuais.

6. De acordo com as fases da pesquisa desenvolvida até ao momento, que indicadores podem ser sinalizados como importantes influenciadores sobre os programas de Educação para a Saúde no Ensino Superior?  

     A influência dos pares, a ausência do controlo parental, a gestão do tempo e das emoções constituem as principais linhas orientadoras para o desenvolvimento de programas de Educação para a Saúde no Ensino Superior.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

Fonte: Regina Alves