Eliade Pimentel

Jornalista

18/12/2023 11h11

 

Ousado e forte o café de minha vida

 

Até que um dia eu descobri uma forma diferente de tomar café com canela e apostei que realmente você me faz feliz. Isso mesmo. Por alguns dias de nossa vida, a gente tem que sonhar e acordar sem medo de revisitar verdades que um dia pensamos ser absolutas. Experimente ficar uns dias de molho, remoendo pensamentos torpes, e perceba que é mais fácil ser lua do que ser o sol escaldante do verão que bronzeia até pensamentos.

Parece que estou triste, tão sóbria, sem sentimentos extras, apenas necessários. Acenderei velas para o anjo, soprarei bolinhas ao vento, purgarei meus sentidos para o alto. Levantarei as mãos e estudarei propostas decentes. Receberei convites e pretendo entendê-los de pronto. Não me farei de rogada momento algum. Quando o fizer, não serei eu, mas uma menina tola que não sou. Gosto do meu café amargo, do seu sorriso doce. Gosto também de acreditar mais uma vez que sou fogo. Na roupa.

Volto a dizer que o esse café é doce mais do que o infinito, porque a dose de carinho extrapola o açúcar branco que o adoça de fato. Volto a dizer que o aroma da canela me estimula. Repito e grito, ao som inaudível, suspiro apenas, que gostaria de ter inventado essa nova forma de aromatizar meu delicioso café expresso. Regurgito memórias francas de um dia ter sido uma estrela solitária no meu próprio coração.

Mais uma vez reforço a ideia de que o café com canela reflete meu atual estado de espírito. É a reinvenção do que um dia eu tentei fazer, e fiz, mas não com essa sabedoria. Acatei e me apossei de uma receita. "Suas ideias não correspondem aos fatos"* e os meus desejos se tornam reais.

Amanheço pensando no bolo de noiva que deixei guardado para o café da manhã. Penso que o esse café com canela irá compor um casal perfeito. Penso que se eu demorar a decidir o que fazer, não serei eu a remediar o irremediável, mas serei a própria a distribuir sorrisos cálidos para uma multidão que deseja experimentar um beijo tórrido.

* O Tempo não pára - Cazuza. (Publicado originalmente no dia 22 de dezembro de 2009, no blog Eliade Pimentel, hospedado no Blogspot).

*ESTE CONTEÚDO É INDEPENDENTE E A RESPONSABILIDADE É DO SEU AUTOR (A).


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