Daniel Costa

13/11/2018
Eleições da OAB: Que vergonha!
 
 
Existe uma frase atribuída a Henry Kissinger que diz que noventa por cento dos políticos dão aos dez por cento restantes uma péssima reputação.  Essa tirada, com as devidas adaptações, pode ser aplicada aos advogados do Rio Grande do Norte, principalmente quando se observa o arranca-toco que acontece na corrida para a ocupação da vaga de presidente da OAB local.
 
Alguns ingênuos, como eu, esperavam uma campanha cordial, pautada pela ética, após um pleito presidencial que expôs tudo de ruim que o acirramento da disputa pelo poder é capaz de trazer à sociedade. O que se tem visto, porém, muito ao contrário, é um processo de escolha dos mais ignóbeis, digno das contendas políticas ocorridas recentemente no país, em  que denúncias, conchavos e ataques deram a cor das tintas.
 
 A eleição para presidente da república parece haver obnubilado o senso crítico da classe dos advogados. Os excessos se entranharam no paletó e nas gravatas de cor. E não escapa quase ninguém. Nas três chapas concorrentes à chefia da OAB aflora o mau gosto, para não dizer tudo. Se de um lado se veem propagandas compradas circulando pelas redes sociais; do outro pululam impugnações oportunistas, que passam ao largo do que pode ser considerado um jogo limpo e aceitável. 
 
A imagem dessa eleição, ao menos para aqueles que estão acompanhando o "litígio" de fora,  é a pior possível. Na verdade, sempre se espera da classe, talvez por já ter sido frequentada por juristas do naipe de Ruy Barbosa e Sobral Pinto, uma espécie de aspiração ética maior do que aquela praticada pelo homem médio. 
 
A realidade, porém, tem sido o oposto desse ideal. Os atuais candidatos, e uma parte dos seus seguidores, deixam transparecer exata-mente o contrário. Os bons princípios vêm sendo colocados no bolso mais fundo da calça, da mesma forma como fazem os políticos, diante de uma intestina disputa pelo poder. 
 
O problema é que os advogados não são políticos. Ou ao menos não deveriam  agir como tais. Até mesmo porque, se no que diz respeito aos políticos existe uma discussão sobre a presença de uma ética toda própria, nos moldes das ideias de Marx Weber; no que tange aos advogados, essa espécie de válvula de escape filosófica não existe. De maneira que, se não dá para proceder como um Raimundo Nonato Fernandes ou como um Ja-les Costa, eles deveriam ao menos se espelhar nos melhores valores das pes-soas comuns, já que atuam na defesa de princípios fundamentais que são caros à população. 
 
Ainda há tempo para mudanças. Mas, por enquanto, diante desse vergonhoso cenário, não chega a ser um absurdo parafrasear Henry Kissinger, para dizer que dez por cento dos advogados estão dando aos noventa por cento restantes uma péssima reputação.