Professor Carlos Gomes

21/06/2022

Escola e a Produção Científica

 

Amigo leitor, hoje na estreia dessa coluna vamos escrever sobre Experimentação Científica na Escola. Neste contexto, peço ao amigo que venha comigo a uma lembrança breve do meu ensino básico à Universidade. No Ensino Fundamental procurava fazer experiências com plantas no fundo do quintal da minha casa na década de 1970. Eu tinha garrafas, espelhos, objetos variados, era o “meu laboratório”.

 

Neste tempo, soube de outros alunos e alunas que também tentavam fazer coisas semelhantes. Passou o então ensino ginasial no Grupo Escolar Jardim Ester, Zona Leste da cidade de São Paulo, o ensino do Segundo Grau na Escola Estadual Amaral Wagner em Santo André no Estado de São Paulo e Escola Estadual Monsenhor Padre Monte em Natal no Rio Grande do Norte. Passou o tempo e somente quando cheguei na Universidade descobri que tentava fazer experimentos científicos.

 

A minha formação não foi para Botânica e sim para História quando voltei a me encantar pela verificação científica na aula de campo com os registros rupestres de caça no Sertão Potiguar Seridoense. Eu menino sonhador “experimentalista juramentado” com a devida licença poética de Odorico Paraguaçú de Dias Gomes, agora me vejo com os conceitos de uma pesquisa. Hoje tanto tempo depois percebo como seria importante se meu despertar científico fosse incentivado nos anos iniciais da minha educação escolar. Quem sabe quais os possíveis desdobramentos de minha vida nos estudos?

 

Amigo leitor colocando de uma maneira mais geral, ao longo dos anos o que acontece nas Instituições de Ensino Básico é que elas ainda não são referenciadas como lugar aonde exista uma Cultura de Experimentação Científica até porque, não há indicação legal expressa e específica para tal e ou orientação Institucional o suficiente que incentive e dê ênfase a essa necessidade.

 

No entanto, a própria lei de Diretrizes e Base da Educação de número 9394-96 no seu Artigo 22 coloca a preocupação de aquisição de meios para o prosseguimento dos estudos posteriores que poderá apontar, quem sabe, para o desenvolvimento na educação universitária veja:

 

Lei de Diretrizes e Base da Educação lei 9394-96  

 Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.

 

No caso do Ensino Fundamental a LDB traz as necessidades que, ao meu ver e o que parece lógico, a experimentação científica pode facilitar na compreensão dos conhecimentos específicos, veja:

Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na   escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade.

 

No Ensino Médio a LDB aponta com mais clareza a necessidade dos fundamentos científicos e a relação da teoria com a prática, veja:

Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.

 

Caro leitor, depois de observarmos alguns aspectos da LDB e o reforço na abordagem da Experimentação Científica acima, cito um exemplo que mostra ações na Escola Estadual Professor Gonçalves Couto localizada na cidade de Muriaé/MG, publicada na Revista Educação Pública da Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro, que apresenta a experimentação científica no chão da Escola.

 

Nesta mesma intenção, a Nasa procura novos talentos científicos como é o caso de Pedro Enrique Manhães, aluno do 7º ano do ensino fundamental da Escola Adventista de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Membro do Clube de Astronomia Louis Cruls e com cinco colegas do clube, participou da iniciativa Cubes in Space (Cubos no Espaço, em tradução livre), projeto internacional apoiado pela National Aeronautics and Space Administration (Nasa), a agência espacial norte-americana.

 

Outra iniciativa importante está no Instituto Santos Dumont com o seu Centro de Educação Científica que traz ações importantes dentro da temática. Diante destes exemplos de tamanha importância meu caro leitor, será que realmente podemos generalizar como fato consumado que ações de desenvolvimento de uma Cultura Científica na Escola, que parece insuficiente, deva se tornar aceitável simplesmente como está? Para ampliar a discussão sobre o assunto, estamos propondo incentivar e buscar Escolas que, apesar de toda dificuldade, tentam ou fazem experimentação científica e que ao longo do tempo podemos destacar. Caro leitor, então como incentivar, orientar e dar publicidade as iniciativas científicas importantes nas Escolas no Estado do Rio Grande do Norte?

 

Nesta resposta, o Potiguar Notícias quer contribuir e abre esta coluna para divulgar as escolas que se notabilizam em Experimentos Científicos importantes. Para isso, será organizado além da Coluna um chamamento para que as Escolas entrem em contato conosco e apresentem seus trabalhos para além do que é comum nas chamadas “Feiras de Ciências”. Neste intuito, estamos formando uma comissão que fará a escolha dos trabalhos apresentados por município, por região e depois por destaque no Rio Grande do Norte, com critérios que demonstrem a importância das iniciativas.

 

Como vimos anteriormente, existem em Escolas o Clube de Ciência com a experimentação do conhecimento científico, ao meu ver ótimas iniciativas desde que contemple também conhecimentos no campo das humanidades,e que revelam em todos os tempos o resultado nas sociedades do chamado mundo desenvolvido. Neste breve momento caro leitor, peço sua opinião sobre a iniciativa e do que foi dito sobre conhecimento científico e educação, deixo aqui a frase do advogado e filósofo romano Lúcio Anneo Seneca, em A Brevidade da Vida: “A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”.