Hugo Manso

06/12/2023 11h04

 

Que feira gigante !

Imenso acerto do governo Fátima

 

Nesse último final de semana a Secretaria da Agricultura Familiar do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, SEDRAF, realizou a 1ª Feira da Agricultura Familiar do RN. Ocupando parte do Centro Administrativo em Natal, a feira foi um imenso sucesso. Sucesso de público, de vendas, de debates e de exposição positiva do Governo.

A agricultura familiar é uma das políticas do Governo do RN com mais acertos. E nessa feira, percebeu-se, além do potencial, a produção real.

Produção agrícola, produção política e produção cultural. Sim, a cultura destacou-se muito durante a feira.

Além do palco principal, coordenado pelo MST, que disponibilizou artistas do Rio Grande do Norte como Cida Lobo, SoulRebel, Grupo Fuxico de Feira, o Projeto Mulheres da Terra, tivemos um palco interno às bancas da feira com muita graça e atrações.

Os convidados nacionais ao Festival do MST: Por Terra, Arte e Pão, Santana o Cantador, Catia de França, Juliana Linhares, Odair José e a Banda Nação Zumbi ampliaram a repercussão cultural do evento.

Cultura e engajamento político. Importantes declarações de cada profissional da música em apoio ao MST, ao Governo Fátima Bezerra e a defesa da economia solidaria e da agricultura orgânica e familiar.

Durante os 04 dias, oficinas, mostra e troca de experiencias e comercialização engrandeceram muito o belo espaço montado no Centro Administrativo. Em diversas conversas, percebeu-se a alegria e entusiasmo dos expositores, dos servidores e das servidoras da Sedraf. Destaque para o pique e a dedicação do Secretário de Estado Alexandre de Oliveira Lima.

Segundo a deputada estadual, filha de agricultor familiar e nascida nesse ambiente, Isolda Dantas, “a feira da agricultura familiar foi um extrato de que a agricultura familiar dá certo. Produz alimentos com qualidade e reafirma que é possível ser feliz no campo”. Essa ideia que as pessoas podem viver, ser felizes e realizadas no ambiente rural é fundamental. Abre um largo espaço para a juventude rural que hoje dispõe de escolas de qualidade bem próximas, internet e acesso a bens de consumo.

Até bem pouco tempo, para cursar o ensino médio os jovens precisavam sair de suas cidades. Assim foi a trajetória de Fátima Bezerra, saindo de Nova Palmeira na PB para Natal. Hoje Fátima teria a opção de estudar no Instituto Federal em Picuí - PB, bem perto de sua casa, ou mesmo no iFRN. Seja em Parelhas, Santa Cruz, Currais Novos, Caicó ou vir para Natal, caso fosse seu desejo. O fato é que as ofertas precisam ser múltiplas e qualificadas.

Essa perspectiva de estudos qualificados nas pequenas e médias cidades precisa estar aliada a geração de renda, trabalho e vida decentes. É o que programas como “Luz para Todos”, “Minha Casa, Minha Vida”, “P1MC – Projeto 1 Milhão de Cisternas”, “Médico da Família” e “Farmácia Popular” entre outros, possibilitou mudanças profundas no nordeste brasileiro. Mas precisamos mais.

A mostra que a feira nos trouxe soma-se a algumas iniciativas mais permanentes que estão em curso.

O fortalecimento da agricultura familiar, passa também por oferecer os melhores espaços públicos para sua exposição nas grandes cidades. Mecanizar adequadamente sua produção. Qualificar educação, esporte, cultura e lazer no campo e nas pequenas cidades.

Ao realizar importante investimento na construção da Central de Comercialização da Agricultura Familiar e Economia Solidaria no cruzamento da rua Jaguarari com a avenida Capitão Mor Gouveia, o programa “Territórios da Cidadania” do Ministério do Desenvolvimento Agrário trouxe essa perspectiva. Infelizmente a descontinuidade dos programas governamentais torna a mudança na qualidade de vida de agricultores e agricultoras muito lenta. Mas estão acontecendo.

Os exemplos se colocam com a expansão dos Institutos Federais, com a ampliação e interiorização das Universidades Federais, Estaduais e mesmo as particulares, com apoio do PROUNI e do FIES.

Agora, aqui no RN, a viabilização econômica e legal do queijo artesanal, a ampliação de aplicação de tecnologias sociais como as cisternas e quintais produtivos, a regularização fundiária dos imóveis rurais e urbanos, a retomada do plantio do algodão com sustentabilidade agro ecológica, introdução de máquinas agrícolas de pequeno porte e fácil acesso pelos agricultores e agricultoras familiares são caminhos que se somam ao fortalecimento da comercialização.

Comercialização realizada através do PAA – programa de aquisição de alimentos dos governos federal e estadual do RN – e de forma direta pela população a partir da qualificação dos produtos, registros sanitários, legislações apropriadas entre outras medidas.

Mas precisamos mais.

Uma pauta se coloca como desafio para a retomada do Ministério do Desenvolvimento Agrário, para a nova CONAB, para o diálogo desses órgãos com o fomento dos bancos do Brasil e do Nordeste. Tudo com o devido e qualificado apoio das Universidades e Institutos federais.

# Precisamos, com urgência, melhorar e ampliar a rede de estradas estaduais e municipais em nosso Rio Grande do Norte;

# Fortalecer a interiorização do turismo, em especial o turismo de base comunitária, em diálogo com a agricultura familiar, o TRAF – Turismo Rural na Agricultura Familiar;

# Incentivar a estruturação de cursos de educação inicial e continuada em áreas como construção civil rural, produção e comercialização de leite e seus derivados, mel e seus derivados, frutas, polpas e hortaliças, entre outros;

#  Fortalecimento através de concursos e equipamentos para os órgãos da administração indireta que dão o devido suporte às secretarias como o iDIARN, a EMATER, a EMPARN, a CEASA e o iGARN;

# Estimular o conjunto da população, incluindo os servidores públicos, a adquirir produtos orgânicos, artesanato e obras de arte que regularmente precisam ser expostas nos espaços de trabalho;

# Organização através da Emater de “fazendinhas”, ao estilo da que é realizado durante a Festa do Boi no Parque Aristófanes Fernandes. Verduras plantadas em escolas, espaços administrativos, hospitais, postos de saúde podem aliar a beleza da jardinagem com utilização alimentar. Espaços demonstrativos, pedagógicos e com produção para os próprios restaurantes e lanchonetes instalados nesses ambientes;

# A dinâmica da economia solidária e o artesanato precisam sair da esfera de poucos grupos, com baixa agregação de valores para um outro patamar. De imediato receber um tratamento e um destaque maior na própria estrutura governamental. Possibilitar que as prefeituras assumam também o protagonismos na comercialização solidária.

# Incentivar iniciativas como o IFSOL (grupo de extensão em desenvolvimento em diversos campi do iFRN) e nossas universidades e escolas estaduais;

Dessa forma, a correta utilização do Centro Administrativo do Governo do RN nesse último final de semana pode ser ampliada para os espaços nobres das demais cidades do estado.

As experiencias exitosas como o circuito das feiras agrícolas (Festa do Bode, Festa do Boi, Caprifeiras e demais eventos) inseridos no calendário anual da Secretaria da Agricultura Pecuária e da Pesca podem e devem ser melhor articuladas com as instituições de pesquisa, ensino e extensão, com a Secretaria Estadual de Turismo e com a programação cultural da Fundação José Augusto.

Viram porquê a feira foi gigante?

*ESTE CONTEÚDO É INDEPENDENTE E A RESPONSABILIDADE É DO SEU AUTOR.


*ESTE CONTEÚDO É INDEPENDENTE E A RESPONSABILIDADE É DO SEU AUTOR (A).